Minha esposa fez cirurgia de catarata, no paraíso, na rua Abílio Soares, velha conhecida dos tempos de serviço militar. Aparentemente seria simples, porém, assim que ela entrou na sala de cirurgia começou a chover com relâmpagos e trovões, e uma Árvore caiu em frente ao hospital e foi-se a energia. Ligados os geradores, a cirurgia continuou, porém se instalou o caos na região.
A chuva descia grossa e continua, e eu pensava em ter que me deslocar até o hotel Fórmula um onde ficamos, há uns quatro quarteirões, dali, para buscar o carro e transportá-la do hospital com a vista operada.
Após quase duas horas, a enfermeira informou que eu poderia ir buscá-la, pois estava liberada. No saguão do hospital, percebi haver grande confusão no trânsito, pois todos os faróis haviam se desligado e a situação era, cada um para si. Imagine cruzar a região da paulista às 16h, com forte chuva e sem sinalização, e com uma pessoa pós operada que não podia sofrer nenhum choque físico devido a lente colocada na vista. Sem opção, fui andando sob a chuva ainda presente.
Foi uma batalha para atravessar as ruas, e após já com o carro tentar cruzar a Paulista para chegar a Abíbio Soares de volta. Para piorar, eu tinha que pegá-la na esquerda, e em um quarteirão passar para o lado direito para acessar a Bernardino de Campos, ufá! Fui até a Joaquin Távora, pois ali havia energia que facilitava cruzar de volta a Vergueiro, para chegar ao Fórmula um na direita da rua.
Ao final, diante do recepcionista admirado com meu rápido retorno, concluí: Deus transformou a maldição em bênção, pois sem os faróis, e com tudo ao Deus dará pude fazer o trajeto na metade do tempo que faria em situação normal. Nm 24: 10.
O inimigo complicou tudo, mas Deus usou o caos para simplificar as coisas. Aleluia!
Cláudio Pinto.
Querido Cláudio, minha preocupação com abordagens como a colocada no artigo acima é que ela é extremamente individualista. Imagine as dezenas de milhares de pessoas que foram prejudicadas pelo caos. Inclusive para irem aos hospitais da região, e que podem até ter morrido na tentativa. INCLUSIVE CRENTES!!! Esse é um efeito colateral da concepção mecanicista Deus-no-controle-de-tudo, e que faz mais mal do que bem! A ela se opõe a concepção Deus-sempre-na-companhia, que nos dá força para enfrentarmos as contingências da vida. Lembremos Sua promessa e alegremo-nos: “No mundo tereis aflições, mas não temais, eu venci o mundo. Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” Amém!
Caro Leonardo Araujo
Não vejo nenhum problema na abordagem do artigo acima. É verdade que o autor olha os fatos por um prisma exclusivamente individual, mas isto, em si, não é um problema. A salvação é individual, e cada coisa que Deus faz por nós, o faz especialmente para cada pessoa ou grupo, considerando a sua situação individual.
Deus nos ama e sempre quer o melhor para nós, para cada um de nós. Se achamos que aquilo que Deus faz para abençoar uma pessoa vem a prejudicar outra, estamos entendendo mal as circunstâncias. Nosso ponto de vista limitado nos impede de perceber o bem que cada ato de Deus nos reserva.
O que é preciso perceber é que, normalmente, as coisas ruins que nos sucedem não são atos de Deus, mas consequências de atos nossos ou de terceiros.
Por outro lado, aqueles que creem em Deus devem confiar que tudo está sob o governo Dele, e assim, que cada coisa nos vem das mãos de Deus, que sempre nos quer dar boas dádivas. Por mais que não compreendamos as razões de Deus e não possamos perceber o bem que Ele nos quer fazer, Ele nos está fazendo algum bem e um dia, ainda que seja quando estivermos face a face com Ele, poderemos compreender.
Deus, na sua infinitude, consegue tratar ao mesmo tempo, individualmente, cada pessoa desse mundo, sem conflitos, sem contradições e sem injustiças. E a nós, com nossas limitações que nos impedem de compreender, cabe apenas confiar Nele.